Voltando a escrever
Parei de publicar aqui no início de 2024. Retomo agora, com uma linha editorial mais clara e um compromisso de frequência.
O foco antes era quase todo macro. O macro continua sendo o ponto de partida, porque é de onde vem a maior parte do risco de uma carteira. A diferença é que a cobertura agora vai até o ativo: ações específicas, ouro, petróleo, dólar, Bitcoin e crédito privado. O método segue o mesmo, top-down, do cenário para a posição.
A frequência será de ao menos uma publicação por semana. Parte do conteúdo continua gratuita. Vou abrir em breve um plano para assinantes, com as análises mais acionáveis e uma carteira acompanhada.
Onde estou olhando agora
O tema que mais me ocupa neste momento é a onda de robôs humanoides, lida pelo ângulo que interessa a um investidor: onde está o valor e em que ponto do ciclo estamos.
O pano de fundo é uma expansão monetária forte nos Estados Unidos. Minha medida de oferta de moeda cresce perto de 20% em doze meses, acima do que a atividade real justifica, com a liquidez ainda em território amplamente positivo. Esse é o ambiente que financia projetos de retorno distante, e o humanoide é um caso típico disso: capital intensivo, caixa empurrado para a próxima década, valuations que já embutem uma adoção de dez anos à frente.
O valor está nos fornecedores que controlam os gargalos físicos da oferta: atuadores e seus componentes de precisão, ímãs de terras raras e sensores de força. Os atuadores sozinhos respondem por 40% a 60% do custo de materiais de um robô e dependem do elo menos maduro da cadeia.
Atuadores concentram o custo e o gargalo de oferta. Fonte: McKinsey, 2026.
Há ainda um fator de concentração geopolítica: a China refina cerca de 90% dos ímãs usados nesses motores, o que transforma um componente técnico em risco de oferta. A produção do Optimus, da Tesla, já atrasou por causa de licenças de ímãs.
O mesmo ciclo que financia a euforia é o principal risco. Quando a liquidez reverter, os fabricantes de robô sem receita e com valuation alto tendem a ser reprecificados primeiro. Por isso prefiro a exposição ao elo de oferta física com caixa corrente à ponta especulativa da cadeia. Nas próximas semanas detalho a cadeia e os nomes por trás de cada gargalo para os assinantes.
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